O que faz um mineral ser gemológico?

Há séculos que as gemas são atraídas por suas belezas e são utilizadas principalmente em joias. Elas são, em grande maioria, de origem mineral, contudo, poucos minerais possuem as propriedades para ser utilizados como gemas. Além da beleza, a durabilidade também determina a qualidade de um mineral para ser considerado gemológico.

Na gemologia, a beleza de um mineral pode ser identificada através da harmonia entre suas propriedades físicas, como a cor, transparência e brilho. Essas características podem ser naturais do mineral ou podem ser adquiridas e realçadas no processo de lapidação e tratamento.

A cor do mineral está relacionada com sua estrutura e composição química, ou seja, o modo em que os elementos químicos se combinam resulta nas cores dos minerais. Alguns minerais apresentam pleocroísmo, que é uma propriedade originada a partir da absorção de luz seletiva segundo certa direção cristalográfica, resultando em diferentes cores em diferentes direções do cristal. A qualidade dessa cor é conferida a partir do seu equilíbrio, ou seja, nem muito forte nem muito fraca, e, quanto mais “viva” e homogênea, melhor.

A transparência está associada à quantidade de luz que atravessa o mineral, caracterizando-o como transparente, translúcido ou opaco. Geralmente, quanto mais transparente, melhor a qualidade gemológica. Contudo, a quantidade de inclusões interfere na passagem de luz impactando no grau de transparência. No entanto, alguns minerais possuem inclusões que, ao serem combinadas a uma lapidação adequada, adquirem um efeito óptico que acrescenta um valor à gema, como acontece com o olho-de-gato - valorizada pela agulha de rutilo presente no mineral. Uma lapidação correta junto a um bom corte e polimento acrescenta a outra qualidade de uma gema: o brilho.

É importante acentuar que cada espécie possui sua particularidade e limitação. Desta forma essas características nem sempre são aplicadas a todas ao mesmo tempo. Grande parte das gemas possui duas ou mais dessas propriedades, mas em minerais opacos, por exemplo, a cor é o principal atributo de beleza.

Uma vez que as gemas são utilizadas como adorno pessoal, a durabilidade de um mineral também é uma característica gemológica importante.  Ela depende de sua dureza, tenacidade e estabilidade.

A dureza (D) é a resistência do mineral a ser riscado, ou seja, quanto menor sua dureza, mais fácil é de riscá-lo. Ela é classificada através da escala de Mohs, que varia de 1 a 10. O valor de dureza suficiente para lapidar um mineral é D > 5. Por outro lado, alguns minerais possuem ligações atômicas mais fracas em algumas direções, logo eles podem se quebrar ou lascar nessas orientações. Esse fator confere à tenacidade de um mineral, que é sua resistência em romper-se ou deformar-se. Os minerais que possuem alta dureza não necessariamente possuem boa tenacidade, por exemplo, o diamante tem a maior dureza conhecida (D=10), porém sua tenacidade é baixa, outro mineral com dureza mais baixa, por exemplo, a jadeíta (D=7) possui alta tenacidade.  Vale ressaltar que o excesso de inclusões interfere na resistência do mineral, tornando-o mais frágil frente à lapidação e manuseio.

Outro fator que afeta a durabilidade da gema é a estabilidade. Ela é a resistência do mineral ao ser exposto à luz, ao calor e a produtos químicos. Por exemplo, ao deixar o quartzo rosa sujeito à luz solar diariamente, ele pode clarear ou perder a cor devido menor estabilidade da gema. Outro exemplo é a limpeza de joias, pois o ácido que se utiliza na safira pode corromper a apatita e o peridoto.

Por último, existem condições que podem ser somadas à beleza e à durabilidade, trazendo valor para a gema. A raridade é uma delas. Alguns minerais ocorrem em maior quantidade, como a ametista, enquanto outros são espécies mais raras, como o topázio imperial encontrado restritamente na cidade de Ouro Preto. Em razão disso, o valor comercial deste último mineral tende a ser mais alto do que o primeiro. Além da raridade, a portabilidade também agrega valor comercial na gema. Elas são facilmente transportadas por serem pequenas e podem ser utilizadas como moedas de trocas por geralmente concentrar alto valor de mercado.

             

 

Referências

Terra, C. (2020). Gemologia: a ciência de mil cores. Terræ Didatica, 16, 1-13, e020016. doi: 10.20396/td.v16i0.8658362

Klein, C., & Dutrow, B. (2012). Manual de Ciência dos Minerais. Bookman, 23. ed. 716p. (ISBN: 978-85- 7780-963-9).

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