Minerais descobertos em Ouro Preto

Inicialmente conhecida como Vila Rica, Ouro Preto é uma cidade cuja história está diretamente ligada à mineração. Em razão de sua localização, seu povoamento foi resultado do exercício da extração de ouro no local, que foi uma das principais atividades econômicas do país por muito tempo. A cidade está no Quadrilátero Ferrífero, o que permite a ocorrência de muitos minerais em sua região, onde alguns foram encontrados pela primeira vez. 

Um dos minerais descobertos na cidade foi aquele que deu origem ao seu nome: o ouro preto. Ele é caracterizado por conter uma camada escura composta por ferro e/ou manganês associada ao ouro nativo. A primeira descrição do mineral foi encontrado no trabalho de Antonil (1711):

“Quanto às qualidades do ouro, sabe-se que o ouro, a quem chamam preto, por ter na superfície uma cor semelhante à do aço, antes de ir ao fogo, provando-se com o dente logo aparece amarelo, vivo, gemado, e é o mais fino, porque chega quase a vinte  três quilates”. 

De mesmo modo, outros minerais foram descobertos em Ouro Preto, entre eles o topázio imperial, variedade mais rara do topázio, encontrada exclusivamente no município. Este mineral, descrito por volta de 1760, é caracterizado pela cor, que varia do amarelo ao vermelho-conchaque, e pela forma em que é encontrado, resumindo-se em cristais prismáticos rômbicos terminados por pirâmide. Uma vez que é um mineral raro, ele é bem valioso, sendo utilizado principalmente em joias. 

Fonte: Parte da coleção de topazio imperial exposta no Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas. Foto: Paula Bamberg. 

Já em 1792, Haüy foi o primeiro a descrever o euclásio, cujas características se baseiam em cristais isolados, transparentes, que possuem uma boa clivagem e são de cor levemente azuladas ou esverdeadas. Uma revisão elaborada em 1994 sobre a ocorrência desse mineral inferiu que suas jazidas estão associadas às jazidas do topázio imperial.

Não apenas os minerais já mencionados, a derbylita (1895), a tripuhyíta (1897) e a florencita (1899) também foram descritos na região de Ouro Preto por E. Hussak e G.T Prior. A derbylita é caracterizada por ser um cristal prismático com brilho resinoso a metálico e de cor variando do marrom escuro ao preto. Já a tripuhyíta ocorre em agregados microcristalinos de cor amarela esverdeada. Por último, a florencita são cristais pequenos romboédricos que possuem a clivagem perfeita, o brilho gorduroso a resinoso e a cor amarelo claro.

 

 

 

Referências

ATENCIO, Daniel. Memória da Mineralogia Brasileira. Catálogo USP. São Paulo, 1999. Disponível em <https://teses.usp.br/teses/disponiveis/livredocencia/44/tde-05112013-164804/en.php>. Acesso em: 25 de agosto de 2020. 

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